Sustentabilidade. Essa palavra está na moda. Parece que finalmente o ser humano acordou para a limitação dos recursos disponíveis no planeta e para os impactos que sua existência causa ao equilíbrio da vida nessa nossa “casa”.
Não há ação humana sem impacto ao meio ambiente. Ele pode ser maior ou menor, negativo ou positivo. Sim, pode ser positivo. É possível desenvolver atividades econômicas que impactem positivamente no ambiente e na mitigação dos pesados efeitos negativos já causados por nós. Esse é o caso das florestas plantadas e seus inúmeros produtos e subprodutos.
A atividade silvicultural (plantação de florestas) é uma atividade essencialmente agrícola. Com a diferença que ela também pode ser feita em locais que a agricultura tradicional deve evitar, como os aclives um pouco mais acentuados, sob pena de causar erosão.
Como atividade agrícola, é uma das culturas que menor impacto negativo causa ao meio ambiente. Seu ciclo de produção é longo – no mínimo seis anos, podendo chegar à vinte anos com dois ou três desbastes intermediários. É uma cultura que não utiliza agrotóxicos, e a matéria orgânica das folhas secas acumuladas no chão da floresta, mantém a umidade do solo e o realimenta de micronutrientes.
Mas não é só pelos fatores acima que a floresta plantada faz bem para o planeta. Sempre lemos na imprensa que um dos grandes vilões do efeito estufa é CO2 o dióxido de carbono ou gás carbônico.
No entanto não é o gás carbônico, por si só o vilão. Se não existissem o Carbono e o Oxigênio, não haveria vida na Terra. A questão é que estamos aumentando enormemente o seu volume acumulado na atmosfera através da queima de combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão mineral. E estamos fazendo isso há muito tempo e em quantidades cada vez maiores.
Estamos tirando o carbono que estava inerte no fundo da terra e dos oceanos para jogá-lo na atmosfera. Logo não é a queima de combustíveis que contribui com o efeito estufa, mas a sua origem. Por isso o álcool brasileiro é considerado um combustível ecológico.
Mas de onde vem o carbono dos combustíveis “ecológicos”? Vem do ar! Sim, vem do ar através da fotossíntese. Usando a energia do sol as plantas, através da fotossíntese, transformam as moléculas de dióxido de carbono e de água em uma molécula de celulose mais uma de água e outra de oxigênio [(CO2) + 2H2O => (CH2O) + O2 + H2O].
A queima de material orgânico é o inverso dessa fórmula tendo geração de energia como resultante. Podemos dizer, portanto, que a madeira ou o álcool derivado da cana são verdadeiras pilhas de energia solar. O carbono que circula nos dois processos está em circuito fechado, não aumentando o volume total de gases que contribuem para o efeito estufa.
Não causar mais estragos ao meio ambiente é uma obrigação de todo cidadão consciente. Usar combustíveis sustentáveis é uma boa e necessária prática. Mas como mitigar, ou consertar, os estragos já causados pelo nosso passado irresponsável? Florestas plantadas cumprem essa função.
Como já dissemos antes, uma plantação de madeira tem um ciclo bem mais longo que outros produtos agricultáveis.
Às áreas de produção florestal que podem seguir produzindo indefinidamente formam um enorme estoque de carbono.
É esse tipo de estoque de carbono que é passível de comercialização através do Protocolo de Kioto e é por isso que dizemos que essa é uma atividade de impacto ambiental positivo. A floresta retira da atmosfera parte do carbono lá despejado pela queima dos combustíveis fósseis e o mantém estocado independentemente do destino da madeira por ela produzida.
E as florestas nativas? Também não cumprem esse papel? A resposta é não.
Não, porque as florestas nativas, assim como o petróleo ou o carvão mineral, são estoques de carbono em equilíbrio. Se ninguém mexer neles, não irão piorar o efeito estufa.
O Brasil é considerado um grande emissor de carbono por conta da queima de suas florestas nativas. Por esse motivo não faz o menor sentido desmatar florestas nativas para plantar florestas produtivas como se fez na década de 70 no Brasil. As florestas plantadas devem ocorrer (e essa é a realidade brasileira hoje) em áreas próprias para cultivo em conjunto com as demais atividades agrícolas.
Antes da arte e da escrita, o homem primitivo se diferenciou dos animais pela sua capacidade de construir ferramentas e abrigos. Desde então a madeira é um material indissociável do fazer humano.
É inconcebível imaginar nossa vida sem a presença da madeira. Além disso, a madeira é o único material de construção… infindável! Na verdade a palavra correta é renovável que, em última análise, quer dizer exatamente isso: infindável! – ao contrário do aço, do vidro, do alumínio, do cimento, da areia, que existem em estoques finitos na natureza e cuja exploração, via de regra, gera impactos negativos ao meio ambiente.
A tabela abaixo mostra o consumo de energia necessário para a produção de uma tonelada de vários materiais utilizados na construção civil.
A diferença é gritante.

Na questão da sustentabilidade, diminuir o consumo de energia na construção civil, tanto nos processos produtivos quanto na posterior utilização dos imóveis, é um fator essencial. A madeira contribui e muito nesse processo e não é só na sua produção. Poucas pessoas já pararam para pensar quanto pesa uma casa ou um edifício, e muitos consideram esse um fator irrelevante.
Mas se imaginarmos que para chegar ao canteiro de obras, toda essa massa tem que ser transportada por caminhões, quanto óleo diesel deixaria de ser queimado poluindo nossas cidades se os edifícios tivessem sua massa reduzida pela metade, por exemplo? Construir utilizando madeira contribui para esse processo.
Com densidade 16 vezes menor que a do aço e 5 vezes menor que a do concreto, a madeira plantada utilizada nas nossas estruturas reduz enormemente o peso das construções.
Estima-se que 80% de toda madeira extraída ilegalmente da Amazônia é consumida no mercado interno e que cerca de 70% desse total é destinado à construção civil. Na construção civil, boa parte dessa madeira é destinada à estruturas de telhados.
As empresas de constroem utilizando as estruturas de telhado TETTI contribuem de forma inequívoca para frear o desmatamento de nossas florestas nativas. Com mais de um milhão de metros quadrados de telhados produzidos em todo o Brasil, temos certeza de que colaboramos para evitar o corte de centenas de hectares de florestas naturais.
Como material orgânico, a madeira está sujeita à deterioração por ataque de organismos xilófagos (que se alimentam da madeira). Há madeiras mais e menos resistentes a esses ataques, seja por apodrecimento por fungos, seja por cupins.
Algumas essências nativas como a Aroeira e a Massaranduba são conhecidas por sua resistência e longa vida útil. No entanto essas madeiras não são ecomicamente viáveis para produção silvicultural.
Mesmo entre aquelas que tem um crescimento rápido (o que não é o caso dessas), as madeiras nativas em geral não se dão bem em plantações com uma única espécie.
Normalmente elas acabam sofrendo com o ataque de doenças que no ambiente de floresta nativa diversificada não ocorrem, ou ocorrem de maneira controlada. Já as espécies exóticas como o pinus e o eucalipto, exatamente por não pertencerem à flora nativa, são bem sucedidas em plantios homogêneos.
Para garantir a durabilidade da madeira em uso, especialmente em relação aos ataques orgânicos, é feito um tratamento químico que irá lhe garantir uma longa vida útil.
O método mais eficiente para aplicação deste tratamento químico é o tratamento em autoclave através do processo de célula cheia, também conhecido como processo Bethel, patenteado em 1838, que consiste em impregnar a madeira seca ao ar com produtos químicos de ação fungicida e inseticida, submetendo-a a um período de vácuo inicial que é seguido de um período de pressão após o enchimento da autoclave com a solução preservativa.
Os produtos químicos utilizados nesse processo são produtos testados e utilizados em larga escala em todo o mundo e, necessariamente, aprovados pelos órgãos de licenciamento no Brasil que são o Ministério da Saúde e o Ibama. Aliás, toda a atividade da indústria de tratamento da madeira é regulamentada no Brasil e segue rígidas normas para sua aplicação.
Há outros métodos de tratamento da madeira sem a utilização da autoclave mas, via de regra, sua durabilidade é muitas vezes inferior, além de haver pouco ou nenhum controle tecnológico sobre sua aplicação.
Há nas normas brasileiras para as madeiras tratadas em autoclave, especificações para a quantidade de produto químico aplicado para cada m3 de madeira permeável em função de seu uso (onde se espera uma longa, média ou curta vida útil), grau de exposição aso ataques orgânicos (se está protegido ou exposto a intempéries por exemplo) e classe de risco (se a eventual falha da madeira pode ou não comprometer a segurança das pessoas).
Já nos tratamentos superficiais, através de banhos ou pincelamento, não é possível garantir uma longa vida útil da madeira.
Há alguns produtos químicos disponíveis no mercado brasileiro para o tratamento da madeira em autoclave. O CCA e o CCB são os mais utilizados. Ambos atendem a todos os requisitos de norma e são homologados pelos órgãos fiscalizadores do setor.
O CCA é a base de Cobre, Cromo e Arsênio e o CCB à base de Cobre, Cromo e Boro. Nos dois casos o Cobre tem função fungicida, o Cobre função de fixação e o Arsênio e o Boro função inseticida.
Na verdade quando falamos em funções insecticidadas e fungicidas podemos dar a falsa impressão que a madeira após o tratamento irá causar a morte desses organismos. Na verdade, como a concentração desses produtos na madeira é muito baixa, ela só deixa de ser alimento para tais organismos.
O CCA só existe em sua forma óxida e o CCB existe tanto na forma óxida como salina. Nós, da TETTI, não utilizamos a madeira tratada com CCB na forma salina, porque apesar do tratamento ser um pouco mais barato, nós não acreditamos na total segurança de produto em relação à lixiviação (eliminação através da água).
De tempos em tempos surgem críticas aos produtos utilizados no tratamento da madeira, em especial ao arsênico. Normalmente essas críticas surgem de pessoas desinformadas ou mal intencionadas. Durante o tratamento ocorre uma reação química que liga em nível molecular as moléculas de Cobre e Arsênio, às moléculas de celulose através do Cromo. Uma vez ocorrida a reação, essas moléculas se tornam parte indissociável da madeira.
Sim, o Arsênio é um veneno, assim como os outros elementos. No entanto não costumamos ter a mesma reação de aversão ao Cobre (presente nos tubos de água quente de nossas casas) ou em relação ao Cloro, presente na nossa água potável. Sim o Cloro está muito diluído em nossa água. O Arsênio também está muito diluído na madeira. E nós não comemos madeira.
Algo me diz que esse tipo de aversão atávica tem relação com os grandes escritores policiais como Conan Doyle, Agatha Christie e Simenon que popularizaram a morbidade do Arsênio, bem como do Cianureto e da Istricnina (não, não existe tratamento de madeira com essas químicas…).
Piadas à parte o tratamento com CCA existe há mais de oitenta anos, com grandes volumes de madeira tratados nesse processo no mundo todo, sem nunca ter sido reportada, (nem uma única vez) algum tipo de problema de saúde relacionado com seu uso, ou no processo de fabricação de madeiras tratadas em autoclave. Por isso o consideramos entre os produtos disponíveis, o mais seguro para aplicação em nossas estruturas. Por outro lado, estamos sempre atentos para evoluções na indústria, e só mantemos relações comerciais com fornecedores de tratamento engajados em garantir a qualidade e o controle de seus processos produtivos.
Toda madeira cuja vida útil é comprovadamente prolongada acaba por se tornar um estoque de Carbono. A madeira tratada contra-ataques biológicos, e aplicada na construção civil, tem sua vida útil estimada em pelo menos 50 anos e, mesmo após esse período ainda pode ser reciclada. Por isso a aplicação da madeira plantada na construção civil vem sendo cada vez mais considerada uma maneira efetiva de ampliar os estoques de carbono, sendo que essa leitura deverá em breve ser parte integrante da contabilidade global do carbono.
Temos orgulho de nossa atividade econômica e do papel que cumprimos em prol da mitigação dos erros do passado e das atividades sustentáveis “de futuro”, seja no incentivo da cadeia produtiva da madeira plantada, seja na aplicação e no uso de nossos produtos por nossos clientes e pelos clientes de nossos clientes.
Essas preocupações com a sustentabilidade estão no DNA do nosso negócio e não como um viés de marketing para incremento de vendas. Todos os nossos clientes participam desse ciclo virtuoso, independente do uso que façam ou deixem de fazer desse fato como ferramenta de marketing.
Acreditamos que em um futuro próximo não existiram mais empresas ou corporações que não incorporem as questões da sustentabilidade como “condição existencial”. E temos certeza que também contribuímos na disseminação da ideia de que se isso é possível em uma atividade como construção de telhados, porque ela não seria em outras?
Todos os fabricantes de produtos e sistemas querem de alguma forma “parecer sustentáveis”, sendo que em alguns casos isso não é verdade. Para separar o joio do trigo é preciso comparar a partir de premissas comuns. Para isso foram criadas normas para “Análise de Ciclo de Vida” ou ACV em português e LCA em inglês tais como PAS (Publicly Available Specification) 2050:2011 e ISO TS 14067 para cálculos de Pegada de Carbono de produtos e serviços. Essa análise detalhada feita por profissionais seguindo rígidas normas resulta na “pegada” de um determinado produto, verificando em toda a sua vida útil a quantidade de emissão de gases de efeito estufa medidos em quilos equivalentes de carbono por unidade de produto.
A TETTI, através da ASSIM – Associação da Indústria Madeireira de Capão Bonito, à qual é associada, fez essa lição de casa e a apresentação desses resultados torna inequívocas nossas afirmações. Leia e compare.
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